Mulheres e carros: uma longa história (de amor)

O mercado automobilístico está cada vez mais voltado ao público feminino.

Dos modelos de cinto de segurança a acessórios que facilitam o dia-a-dia, tudo era feito com o conforto masculino em mente, sendo as mulheres e suas necessidades totalmente ignoradas pelos fabricantes.

Felizmente, tudo isso vem mudando com o aumento de motoristas mulheres, que, há 30 anos fato inimaginável, hoje prestam serviços inclusive de transporte de carga e de pessoas.

Apesar da inclusão delas já vir acontecendo há pelo menos 50 anos, apenas recentemente lançou-se um olhar preocupado sobre a comodidade e segurança das motoristas.

Acreditava-se que mulheres no volante seria um capricho, um passatempo, e que logo elas se cansariam ou usariam o carro somente para tarefas domésticas, como ir ao mercado e levar a buscar as crianças na escola.

Sem dúvida que tanto mulheres quanto homens utilizam seus carros para isso atualmente, mas naquela época, pensava-se que para elas o uso se limitaria a tais tarefas.

Habilmente, entretanto, nós, mulheres conquistamos nosso espaço no mercado de trabalho e, como citado acima, frequentemente usando o carro como principal ferramenta no labor, seja como motorista de ônibus, caminhão, aplicativo, táxi…

E, falando em aplicativos, hoje existem alguns voltados para passageiras que, buscando por segurança, preferem os que disponibilizam somente motoristas mulheres.

Tudo isso representa, sem dúvida, grande progresso para nós. Não obstante, ainda há muito a ser feito. O trânsito no Brasil é considerado um dos mais violentos do mundo[1], o que inibe maior participação feminina.

Todos conhecemos alguém que tenha medo de dirigir, e a maior parte dessas pessoas, tristemente, é de mulheres. Imprudência e agressividade dos outros motoristas são fatores que as mantêm afastadas do volante. É preciso mais políticas públicas e conscientização para tornar nosso trânsito mais seguro, mais inclusivo e acessível para todos, o que só trará benefícios, uma vez que é fato que elas são mais cuidadosas e se envolvem em menos acidentes[2][3], conforme publicações mais recentes.

Tais dados desafiam o preconceito perpetuado por gerações de que mulheres são más motoristas. Pasmem: ainda há muita gente que acredita nisso, sem fundamento algum.

E, falando em dados e estatísticas, a Polícia Rodoviária Federal e Polícia Civil de São Paulo, através do Infosiga, divulgaram que, em 2017, apenas 6,4% dos condutores envolvidos em acidentes graves eram do sexo feminino, contra 93,1% do sexo masculino. É uma diferença gritante, que evidencia o preconceito.

Porém, muitas empresas já estão de olho nessas motoristas, passando a economizar com elas, através da redução de acidentes e de consumo de combustível[4].

Temos esperança no avanço, como tem acontecido nos últimos 50 anos, e que mais e mais mulheres dominem o asfalto.


[1] http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-09/brasil-reduz-mortes-no-transito-mas-esta-longe-da-meta-para-2020

[2] https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2018/09/mulheres-ao-volante-estatisticas-indicam-que-elas-dirigem-melhor.html

[3] https://www.portalt5.com.br/noticias/paraiba/2018/7/111444-mulheres-se-envolvem-menos-em-acidentes-diz-pesquisa

[4] http://trucao.com.br/existe-vantagem-em-contratar-mulheres-como-motoristas/

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